terça-feira, 25 de outubro de 2011

Como funciona a censura na China?

CANAL FECHADO
CCTV é o canal de TV oficial. Além dele, que é nacional, há também estações regionais, mas todas são do governo. Por isso, na China não há transmissões ao vivo. As coberturas supostamente em tempo real têm um delay (atraso) de nove segundos, tempo suficiente para cortar ou mudar a imagem, caso algo inesperado aconteça.
CONTROLE MORAL
A censura não barra apenas críticas políticas. Temas relacionados a sexo e questões que possam gerar polêmicas, como drogas e homossexualismo, também são barrados. O governo proibiu, por exemplo, entrevistas com a atriz Wei Tang, que fez cenas de sexo no filme Lust, Caution, de Ang Lee. A saída na arte é fugir de críticas explícitas
MELHOR PREVENIR
Muitos veículos preferem não publicar determinadas notícias antes mesmo de sofrer reprimendas. Eles temem medidas mais drásticas do que a não-publicação. Os veículos podem perder a licença de operação e profissionais podem até ser presos. De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras, das 131 prisões de jornalistas que aconteceram no mundo em 2006, 25% foram na China
A GRANDE MURALHA
A internet chinesa é controlada através do "Escudo Dourado", um firewall, sistema de segurança que bloqueia sites que contenham certas palavras consideradas "perigosas" pelo governo. Os sites bloqueados entram em uma espécie de lista negra e, a partir deles, tenta-se chegar a outras URLs "subversivas"
30 MIL ALGOZES
A Xinhua News Agency é a responsável por "ditar" as regras do que pode ou não ser publicado. Existem cerca de 30 mil censores contratados para analisar o conteúdo de textos, vídeos e áudios. Até propagandas podem ser censuradas: em setembro de 2007, a Administração Estatal de Rádio, Filme e Televisão proibiu anúncios, digamos, mais apimentados
LIBERDADE VIGIADA
No sul do país, onde há grande circulação estrangeira, há algumas ilhas de liberdade. Nos hotéis de mais de três estrelas da província de Guangdong, em geral não há restrições para jornais e canais de TV estrangeiros. Hong Kong também tem menos restrições, mas a circulação dos seus jornais, como o South China Morning Post, é barrada em outras regiões
OLHAR ESTRANGEIRO
Embora a proximidade da Olimpíada tenha reduzido o rigor, a mídia estrangeira também sofre sanções. Hoje jornalistas podem circular pelo país, mas em algumas regiões, como o Tibete, há restrições. Além disso, o governo bloqueia o acesso a informações desfavoráveis em sites estrangeiros, inclusive YouTube
MÍDIA CLANDESTINA
Por mais rigoroso que seja, o governo não consegue controlar trocas de informações entre pessoas. Além de folhetins "subversivos" que circulam de forma clandestina, há também brechas digitais. Um canal de comunicação ainda não controlado pelo governo, por exemplo, é a transmissão de textos, fotos e vídeos via celular

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